Treinar em jejum: Vale a pena?

Você começa a treinar pela manhã, acha que está tudo bem e de repente nota que o treino não está rendendo, que não conseugue manter o esforço, começa a sentir fraqueza, tontura, fica enjoado e parece que vai desmaiar. Você já deve ter passado por isso, ou já viu alguém relatar esses sintomas durante o treino não é mesmo.

Isso provavelmente seja hipoglicemia.  Mas o que é isso?

A Hipoglicemia de modo simples, não é uma doença e sim uma condição que ocorre quando a taxa de glicose no sangue diminui.  Ocasionada principalmente pela falta de glicose necessária para a demanda energética do exercício físico, apresenta os seguintes sintomas: tontura, tremores, sudorese excessiva, calafrios, fome, sonolência, confusão mental, irritabilidade, agressividade ou lentidão, palpitação, dificuldade de raciocínio, e em casos mais graves, convulsões e perda de consciência.

O que fazer em um caso de Hipoglicemia?

Ao se deparar nessa situação, pare o exercício, repouse e faça uma reposição de carboidratos através da ingestão de alimentos de rápida absorção.  Um exemplo poderia ser balas, saches de mel, gel de carboidratos, suco de laranja, refrigerante. Se continuar baixa, o paciente deve ser deitado com as pernas elevadas e tentar ingerir novamente esses alimentos.

E se desmaiar?

Pode ser realizada a aplicação de glucagon (hormônio) via subcutânea, conforme orientação médica, e se não tiver o glucagon, deve-se deitar a pessoa de lado, em posição lateral, de segurança, e chamar imediatamente uma ambulância, ligando para o número 192.

Levando em consideração as pessoas que treinam no período da manhã, é necessário lembrar que o exercício vai se iniciar após um período longo de jejum, onde ocorre uma grande redução das reservas de glicogênio no organismo. Nesse sentido, MCARDLE (2003), defende a importância do desjejum para evitar um possível quadro de hipoglicemia durante o exercício, como também para conseguir energia suficiente para realizar o treino. 

MCARDLE (2003) afirma que o café da manhã, ou alimentação pré-treino, deve levar em consideração vários fatores: tipo de carboidrato a ser consumido, quantidade de calorias, distribuição dos nutrientes, demanda energética, tipo do exercício e índice glicêmico de cada alimento.

Para  Jenkins et al. (1981) o índice Glicêmico é a velocidade com que o carboidrato é absorvido no intestino delgado, determinando as respostas glicêmica e hormonais após uma refeição. Refeições com alto índice glicêmico quando ingeridas imediatamente antes do exercício acarretam na elevação rápida da glicemia, o que pode desencadear uma liberação excessiva de insulina, resultando em hipoglicemia de rebote.

Como sabemos o exercício físico traz uma grande demanda energética do organismo visando a manutenção da atividade muscular. Nesse sentido, a energia derivada dos nutrientes ingeridos na alimentação tem fundamental importância para o fornecimento de energia, contribuindo com a manutenção do trabalho muscular, ou seja, a ingestão de carboidratos, gorduras e proteínas serão de suma importância para o seu treino. E não pense que ao realizar uma atividade aeróbia estamos somente “queimando ou utilizando gordura” como substrato energético, e assim não iríamos precisar de glicose, a predominância é sim dos ácidos graxos nos exercícios de baixa á moderada intensidade e longa duração, mas isso ocorrerá em conjunto com a utilização de glicose como substrato energético, pela via glicolítica, seja pelo  glicogênio hepático ou muscular.

Então aqui vai uma dica: para saber o que comer, quando comer e o quanto comer, seja antes, durante e depois de um treino ou prova, procure um nutricionista! Pare de querer imitar seu amigo, o colega de treino, o cara que venceu a última prova, o medalhista olímpico ou o ganhador do prêmio Nobel. Ah, e pare com as dietas da moda e essas invencionisses bizarras também! Vá ao nutriocionista! Pois com uma alimentação correta, seu treino ficará muito melhor, com mais rendimento e além disso, evitará situações de hipoglicemia durante o treino e/ou provas.

Fernando Vasque

CREF 026858-G/PR

 

REFERÊNCIAS

MCARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L. Energia, nutrição e desempenho humano. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

JENKINS, D. J. et al. Glycemic index of foods: a physiological basis for carbohydrate exchange. The American Journal of Clinical Nutrition, Houston, v.34, n.3, p.362-366, mar. 1981. Disponível em: . Acesso em: 25 abr. 2010.

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